1. Olá Fábio e Andreza, sejam bem-vindos a esta rubrica do blog Fashion Moita. Temos todo o gosto em falar convosco, ainda por cima por terem sido os pioneiros deste projecto. Digam-nos, como é que tudo começou?
FL: Tudo começou em 2005 quando eu resolvi enviar o projecto para a Câmara Municipal da Moita. Passada uma semana o gabinete da juventude resolveu marcar uma reunião comigo para falar do projecto e passado um ano, em Setembro de 2006, estávamos a apresentar ao público o primeiro Fashion Moita.
2. Andreza, como viste então o convite do Fábio para ingressar nesta aventura?
(risos)
AP: No início pensei que a Câmara não fosse aceitar a proposta, e então pensei em não ajudá-lo, pensei que não fosse valer a pena, mas depois como as coisas começaram a andar e ele foi recebendo apoio do gabinete da juventude, achei que também podia ajudá-lo em algumas coisas.
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3. Tiveram desde logo noção da dimensão e dos encargos de organizar um evento desta natureza?
FL: Eu acho que ao inicio ninguém tinha noção de que fossem precisos tantos meios e tanto empenho e tempo da nossa parte, mas ao longo do processo percebemos que não era propriamente fácil organizar um evento assim.
AP: Sim, à medida que foram surgindo certas situações e problemas e que os tivemos de resolver, muitas vezes à pressa, é que chegámos à conclusão daquilo em que nos estávamos a meter.
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4. Que tipo de apoios tiveram por parte da Câmara Municipal da Moita?
AP: Nós tivemos, em primeiro lugar, um apoio muito importante da Berta e da Ludmila, do gabinete da Juventude, que nos souberam sempre orientar desde o inicio no que respeitava aos processos burocráticos, aos convites, às autorizações e aos patrocínios. E esse mesmo apoio também foi muito importante nos meios materiais que precisámos, isto é, o material físico e algumas despesas como a publicidade.
FL: Essa parte é toda patrocinada pela câmara. Assim, enquanto eles patrocinam com os meios que têm, nós temos que patrocinar de certa forma com o nosso trabalho e com aquilo que podemos dar para a realização do evento. Este tipo de projecto, no âmbito do "Apresenta o teu Projecto", não tem propriamente fins lucrativos, é muito mais no sentido de nos dar experiência, de nos dar uma bagagem que nos permita futuramente construir os nossos próprios projectos.
AP: Pois, apesar de nós termos algumas pessoas que nos apoiam, nós é que damos a cara em tudo aquilo que fazemos.
FL: Isso mesmo. Até mesmo com os lojistas ao pedirmos patrocínios.
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5. E acham que a CMM estava, inicialmente, reticente quanto à ideia?
FL: Bem, eu acho que inicialmente a câmara tinha algumas dúvidas, até porque começámos por pedir o pavilhão municipal de exposições e eles acharam melhor ser na biblioteca porque era um espaço muito mais pequeno, levava menos gente, e isso mostra que tinham algum medo de arriscar. E isso é perfeitamente normal porque era um projecto novo e não se sabia o que é que podia ainda dar.
AP: Sim, ao início nós reparámos que eles não estavam muito disponíveis e que não acreditavam que fosse algo em grande, por exemplo, e como o Fábio disse, no caso de não nos cederem logo o pavilhão. E acho que talvez foi por pensaram que era algo limitado e com fraca adesão por parte do público.
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6. Então e como foi a vossa relação com o gabinete da Juventude?
AP: A relação penso que foi sempre muito positiva, pois eles disponibilizaram-se para nos ajudar naquilo que precisávamos e em muitas coisas com as quais não sabíamos lidar, como algumas situações com as próprias lojas.
FL: Acho que a juventude sempre nos ajudou bastante e na altura a Ludmila e a Berta eram as responsáveis do gabinete e acho que sempre foram um grande suporte para que o Fashion Moita pudesse arrancar e ter o sucesso que depois acabou por ter.
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7. Foi fácil arranjarem patrocínios?
AP: Não, não foi fácil. Nós tivemos algumas situações muito complicadas ao inicio, nomeadamente para conseguirmos os patrocínio porque viam que éramos novos e não nos davam muita credibilidade. Depois tivemos dificuldade com as próprias roupas das lojas, pois às vezes aquilo que pretendíamos para os modelos não era aquilo que realmente tínhamos conseguido.
FL: Sim, acho que é sempre difícil, ainda por cima por ser um projecto novo. Ninguém sabia o que era o Fashion Moita, quais eram os objectivos do projecto, e era normal que tivessem mais reticentes em ceder as roupas como patrocínio, mas também havia sempre o medo de as roupas puderem voltar estragadas. Para além disso, o facto de sermos jovens levava-os a pensar que éramos irresponsáveis, como muitas outras pessoas, o que não corresponde de todo à realidade.
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8. Então segundos nos estão a dizer sentiram que não eram levados a sério pela vossa idade?
FL: Completamente.
AP: Por parte da câmara e da juventude não, sempre nos levaram a sério e com muito respeito, mas lá fora tivemos alguma discriminação relativamente a isso. Principalmente na aquisição dos patrocínios.
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9. Qual foi o feedback que tiveram quando as pessoas na rua começaram a ver os primeiros cartazes do Fashion Moita?
FL: Eu falo por mim, alguns de nós apareceram nos cartazes e tinha piada porque as pessoas diziam “ah, vi-te na rua” ou “vi-te ali” e nós assim percebíamos que as pessoas estavam entusiasmadas com isso. Não tínhamos era propriamente um feedback quanto ao projecto, mas sim quanto aos cartazes em si. Não havia certezas se as pessoas tinham noção do que se ia passar, tinham uma ligeira ideia, mas não tinham uma ideia concreta.
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1o. Como se sentiram quando viram tantos jovens a aderir à ideia? Perceberam que todo o esforço tinha valido a pena?
AP: No início estávamos um pouco preocupados, porque não estavam a haver inscrições suficientes para a dimensão que nós queríamos que o Fashion Moita tivesse, mas depois, e de repente, foi tipo uma explosão de inscrições, tudo em cima da hora. Tipo, já estávamos desanimados e a pensar que ia ser um fracasso, mas de repente começaram a chegar muitas inscrições.
FL: Sim, nós chegarmos à juventude e descobrimos que tínhamos 40 inscrições em cima da mesa foi incrível. Quando nos disseram pensámos que estavam a brincar, mas depois assim de repente pensámos “isto se calhar as pessoas estão mesmo interessadas e são o português típico que deixa tudo para a última".
(risos)
AP: Pois, as inscrições chegavam até nós através da biblioteca, pois os interessados eram de todo o concelho da Moita e arredores, não só da Moita.
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11. E como descrevem a relação entre os concorrentes e entre concorrentes/organização?
FL: Para começar eu acho que os concorrentes se deram todos muito bem. Não havia aquela ideia de competição que muitas vezes passa no mundo da moda. E que nós somos assim e assado, nós somos melhores do que os outros, nós estamos aqui para competir e não nos vamos dar bem, cada um sabe de si. Eu acho que houve muito o espírito de união, e mesmo os modelos quando achavam que havia um pormenor ou outro que devia ser mudado estavam à vontade e davam a sugestão e nós rapidamente tentávamos resolver isso. E, por isso, acho que se criou toda uma união, não só entre a organização, mas também com os próprios concorrentes, o que consideramos bastante positivo.
AP: Sim, nós reparámos que, e apesar do pouco tempo de convivência, o pessoal da organização esteve junto com os concorrentes, o que permitiu que se criasse logo ali um à vontade e uma amizade que contribuiu para um ambiente positivo na organização do Fashion Moita. E ainda depois do Fashion Moita há algumas amizades que se mantêm, daí destacarmos a relação como algo muito positivo.
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FL: Tenho a dizer que houve duas situações que me marcaram. A primeira foi no dia do desfile quando subi ao palco e vi aquela gente toda. Não queria acreditar na quantidade de gente que estava a assistir. E depois olhei para a plateia e tinha a minha família toda a chorar, porque muitos deles não acreditavam que realmente o projecto fosse para a frente. Mas estavam a chorar de alegria, de estarem a ver que tinha conseguido o meu objectivo. E esse momento marcou-me muito. O outro foi com a Andreza, no centro comercial, quando estávamos a escolher as roupas e a distribuí-las pelos modelos. E estivemos a fazer em duas horas o que era suposto fazermos em vinte minutos e tudo porque não nos conseguíamos decidir.
AP: Bem, para mim o melhor momento foi mesmo a realização do desfile, quando pude ver em concreto um trabalho que nós tivemos durante muito tempo, que nos deu mesmo muito trabalho e no qual tínhamos depositado muitas expectativas, principalmente o Fábio visto que eu no inicio não acreditava muito que este projecto se fosse concretizar. Mas ver que aquilo realmente funcionou e que tínhamos a plateia cheia foi realmente gratificante, pois vimos, de certa forma, o nosso trabalho reconhecido. E depois no fim, quando passou aquele momento do “Uau, já passou", estávamos mais calmos e reflectimos sobre as experiências que tínhamos tido. No fim, as aprendizagens que fizemos foram muito boas e construtivas, o que nos permitiu ver que realmente tínhamos conseguido ultrapassar todos os obstáculos que foram surgindo.
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13. Passando agora para um plano mais geral, o que é para vocês o Fashion Moita?
AP: Bem, o Fashion Moita para mim é um dos sonhos do Fábio que foi realizado. Foi ele que teve esta ideia para este projecto e colocou em prática tudo aquilo que queria. Foi lutador e foi pedir-me ajuda e sinto-me grata por ter contribuído para realizar este sonho, que foi um grande desafio, sem dúvida. Acho também que é um projecto que permitiu a outras pessoas realizarem o sonho de desfilar, daí achar que esta foi uma ideia muito boa.
FL: Para mim o Fashion Moita não é apenas um concurso, é uma partilha de experiências, não só por nós organização, por termos contacto com novas pessoas, novas realidade, com novas maneiras de aprender, de estar e de fazer, como também a própria relação que se estabelece com as pessoas. Aprendemos a relacionar-nos de forma diferente com as pessoas, a comunicar com o público. Por isso, acho também que o Fashion Moita é muito mais do que moda, é irmos ao encontro das pessoas e tentarmos realizar o sonho delas. Digamos que é um conjunto de experiências que vai muito além daquilo que se possa pensar.
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14. Como têm visto a evolução do Fashion Moita?
FL: Penso que a evolução tem sido bastante positiva, porque foi um projecto no qual ninguém tinha muitas expectativas, a verdade é essa, que começou na biblioteca, num ambiente muito mais recatado, e à medida que se foi avançando no número de edições foi-se diversificando e aumentando também o número de concorrentes e de espectadores. O espaço agora é muito maior, os meios são melhores e com esta mudança de organização houve um Refresh do projecto e acho que isso também foi muito importante.
AP: Sim, eu acho que o Fashion Moita tem evoluído de forma bastante significativa e positiva. Começou em 2005 e já estamos em 2009 e as pessoas ainda falam no Fashion Moita e como ainda há muita gente que se quer inscrever é um projecto que tem pernas para andar.
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15. Para finalizar, que razões dão aos interessados para se inscreverem nesta nova edição do Fashion Moita?
AP: As razões que eu daria para um jovem se inscrever eram: em primeiro lugar se é no mundo da moda que está o teu sonho, acho que é uma boa oportunidade para começar a entrar nesse ritmo e a descobri-lo a pouco e pouco. E em segundo lugar por todas as experiências que se ganham ao participar neste tipo de concursos. Têm que se adaptar a algumas regras que são estabelecidas, como no caso das roupas em que têm que vestir o que lhes é destinado e que lhes permite muitas vezes ultrapassar alguns complexos que tenham com o próprio corpo. Por isso concorram que de certeza que será uma experiência bastante enriquecedora para todos.
FL: Sim, como também já tinha dito, o Fashion Moita é um conjunto de experiências, por isso se estão à procura de algo novo, à espera de se divertir, de conhecer pessoas novas, ter um maior contacto com o público e se realmente sonham com o mundo da moda acho que é uma excelente porta, ou degrau como lhe quiserem chamar, para seguirem os vossos sonhos.
E assim nos despedimos dos nossos convidados, restando-nos desejar-lhes as maiores felicidades e aplaudindo a sua coragem por terem sido os pioneiros deste projecto. Fiquem atentos às próximas novidades do blog que não tardarão em chegar. Será que estão preparados para o que ainda aí vem? NÃO NOS PARECE!




1 comentário:
Pior foi mesmo começar. Ainda estivemos ali uns 5min a rir! Eheh
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